10/07/2026
10/07/2026
O presidente da Central Ibero-Americana de Estudos e Defesa do Trabalho Médico (CentralMed), Dr. Geraldo Ferreira, reuniu-se na noite da quarta-feira (8) com o presidente do Colégio Médico de El Salvador, Dr. Iván Solano, para discutir a grave situação enfrentada pelos médicos salvadorenhos e alinhar ações conjuntas em defesa da valorização da profissão médica.
Durante o encontro, Dr. Iván Solano apresentou um panorama das dificuldades enfrentadas pela categoria em El Salvador. Segundo ele, o país conta atualmente com cerca de 23 mil médicos, dos quais 7.700 foram demitidos do serviço público desde 2024, sem que tenham recebido as indenizações correspondentes.
Além das demissões, foram relatados problemas como a tentativa de ampliação da privatização da saúde, baixos salários no serviço público — com remuneração líquida em torno de US$ 731 para médicos do Ministério da Saúde —, sobrecarga de trabalho, esgotamento físico dos profissionais e a ausência de diálogo entre o governo e o Colégio Médico, apesar das sucessivas solicitações da entidade.
A reunião também serviu de preparação para uma live conjunta entre a CentralMed e o Colégio Médico de El Salvador, que será realizada no dia 15 de julho, às 20h (horário de Brasília), com transmissão pelo Facebook do Colégio Médico de El Salvador. O encontro será conduzido pelos presidentes Dr. Geraldo Ferreira e Dr. Iván Solano e apresentará uma radiografia das condições do trabalho médico na região. Entre os temas em debate estarão a precarização das relações de trabalho, o financiamento dos sistemas de saúde, o funcionamento da saúde suplementar, o papel do sindicalismo médico e as alternativas para enfrentar o avanço da precarização.
Ao final da transmissão, também será dirigida uma mensagem aos jovens médicos que ingressam na profissão e encontram um cenário marcado pela instabilidade, pela perda de direitos e pela desvalorização do trabalho médico.
Como encaminhamento da reunião, por sugestão do presidente da CentralMed, será elaborada uma carta institucional a ser enviada ao presidente da República de El Salvador, aos ministros da Saúde e do Trabalho, além de organismos internacionais, entre eles a Organização Internacional do Trabalho (OIT), a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e a Organização Mundial da Saúde (OMS).
O documento solicitará o empenho das autoridades na construção de um diálogo social permanente e apresentará propostas voltadas à proteção dos médicos e ao fortalecimento dos sistemas de saúde, entre elas:
– Cessar qualquer prática que possa representar perseguição, intimidação ou retaliação contra médicos;
– Revisar as demissões eventualmente realizadas sem o pleno respeito às garantias do devido processo legal e aos princípios da legalidade e da proporcionalidade;
– Restabelecer mecanismos permanentes, transparentes e eficazes de diálogo com as entidades representativas da classe médica;
– Fortalecer políticas públicas voltadas à valorização do trabalho médico, à estabilidade profissional, à segurança ocupacional e à autonomia técnica e científica dos profissionais;
– Promover soluções institucionais construídas por meio do diálogo social e do respeito mútuo entre as autoridades públicas e a profissão médica.
Para a CentralMed, a defesa do trabalho médico exige cooperação internacional e o fortalecimento das entidades representativas, garantindo condições dignas de exercício profissional e sistemas de saúde capazes de atender às necessidades da população.